Silveira defendeu que o Parque da Bica já atende às exigências de órgãos de fiscalização, mas anunciou novas medidas de segurança. Nas entrevistas, o secretário afirmou que o espaço agora terá efetivo reforçado da Guarda Municipal, cercamento de áreas vulneráveis e novas câmeras integradas ao programa Smart City.
— Essas câmeras são com inteligência artificial, monitoram comportamentos suspeitos, faces com mandados de busca e apreensão. Então, pessoas em situação suspeita serão identificadas pela inteligência artificial para evitar, inclusive, casos de furtos — destacou.
A prefeitura também adotou novos protocolos para o manejo dos animais. A portaria publicada estabelece que o acesso aos recintos dos animais será permitido somente a funcionários autorizados do parque da Bica e a pessoas autorizadas pela diretoria técnica do estabelecimento e pelo secretário. A entrada nesses locais ficará condicionada, porém, ao uso de vestimenta adequada e de aparatos de proteção considerados “necessários para a segurança do indivíduo e do animal”.
Eventual autorização para pessoas que não façam parte da rotina de manejo dos animais no parque dependerá de requerimento prévio e da devida identificação à direção do parque antes do acesso, diz a portaria. Além disso, a partir esta quinta, será “terminantemente proibido” entrar nas dependências onde estão os animais com celulares, câmeras fotográficas ou aparelhos similares, exceto se houve autorização expressa para essa atividade.
A leoa que matou Gerson voltou à jaula dias depois do incidente. O animal ficou dias isolado, em observação, por ter passado no episódio por um “nível elevado de estresse”. A administração do parque destacou que a eutanásia nunca foi cogitada e que a reintrodução no espaço ocorreu “aos poucos”.
Logo depois da confirmação da morte, a administração do parque ressaltou que o animal não apresentava comportamento agressivo, embora ainda estivesse um pouco agitado. Afirmou, ainda, que médicos veterinários, tratadores e técnicos se dedicariam “integralmente” ao bem-estar de Leona para garantir que ela “fique bem, se estabilize emocionalmente e retome sua rotina com segurança”.
De acordo com a administração do Parque da Bica e a prefeitura de João Pessoa, Vaqueirinho invadiu “deliberadamente” o recinto da leoa no zoológico. O poder municipal destacou que, “de maneira rápida e surpreendente”, ele escalou uma parede de seis metros, as grades de segurança, chegou a uma das árvores do espaço e entrou na jaula. Vídeos que circulam pelas redes sociais mostram a ação do homem, que foi atacado pelo animal e não resistiu aos ferimentos.
A prefeitura afirmou, em nota, que equipes de segurança tentaram impedir a ação do homem, mas não conseguiram. A Polícia Civil da Paraíba apura o caso. Josenise de Andrade, delegada adjunta da Delegacia Especializada de Homicídios de João Pessoa (PB) responsável pela primeira averiguação da ocorrência, disse que a morte de Vaqueirinho, a princípio, foi uma “fatalidade”.
— Ele verbalizou a ideia de ver o animal mais de perto, o que bate com informações de policiais de que ele, mais de uma vez, e numa postagem de uma conselheira tutelar, que ele verbalizava a vontade de ir para a África cuidar dos leões. No vídeo, a gente pode ver ele descendo pela árvore, e as pessoas gritam, dizem para voltar. Ele poderia ter voltado, mas ele desce. Ao que parece, ele não tinha a intenção de atentar contra a própria vida, mas de se aproximar dos animais. Pelo histórico que me foi passado, ele tinha comprometimento psiquiátrico. Ele não teve a noção do perigo — disse Josenise.
Segundo a investigadora, testemunhas e o vídeo do caso apontam que o jovem acessou a jaula por uma árvore externa e depois escalou o muro até uma grade de proteção. Na sequência, desceu ao recinto por uma árvore do espaço. A delegada afirmou ter determinado o fechamento do parque ao receber a notícia da morte. Após a retirada do corpo, porém, ela autorizou que a administração do zoológico gerisse a visitação como achasse mais prudente.
O GLOBO