

A literatura produzida no Cariri paraibano acaba de atravessar o Atlântico e encontrar novas vozes na Galícia, região espanhola cuja língua compartilha profundas raízes históricas com o português. No dia 2 de julho de 2026, o Moinho de Fausto, em Cangas do Morrazo, na Galícia (Espanha), recebeu o ensaio para a leitura dramatizada de trechos do livro Carolino, obra do escritor monteirense Efigênio Moura, em uma iniciativa que fortalece os laços culturais entre o Nordeste brasileiro e a Galícia.
Reconhecido por retratar com autenticidade o cotidiano, a oralidade, os costumes e a paisagem humana da zona rural de Monteiro, Carolino ganhou uma adaptação especialmente produzida para o público galego. A obra, considerada uma das mais representativas da literatura regional contemporânea paraibana, preserva a riqueza da fala sertaneja e das tradições do Cariri, elementos que encontraram surpreendente identificação com a cultura galega.
O ensaio foi realizado pelo Grupo de Teatro das Aras, que prepara a leitura dramatizada da obra, levando ao público personagens, paisagens e sonoridades do sertão nordestino traduzidos para a língua galega. A adaptação dos trechos do livro foi assinada por Xico Villar (Xico de Cariño), responsável também pela trilha sonora. Entre os destaques da produção está a transformação de um poema do repentista Pinto do Monteiro em um aboio, aproximando duas tradições populares profundamente marcadas pela oralidade, pela música e pela poesia.
A adaptação dramatúrgica é de Rosa Gantes, enquanto a gravação ficou sob os cuidados de Ricardo Spencer e Manuel Canosa. A direção é de Ricardo Spencer, reunindo no elenco os atores Carme Loi, Manolo Soaxe, Elda Álvarez, Amaro Meduiña, Mario Vicente, Sara Nieto e Sonia Couto.
Mais do que uma adaptação literária, a iniciativa simboliza o reencontro de duas culturas historicamente ligadas pela língua e pela tradição oral. O diálogo entre a literatura sertaneja de Efigênio Moura e a arte galega evidencia as afinidades entre o Nordeste brasileiro e a Galícia, territórios onde a memória, a oralidade e a identidade popular continuam sendo pilares da produção cultural.
Ao ganhar uma versão em galego e ser levada para a leitura dramatizada, Carolino reafirma a capacidade da literatura nordestina de ultrapassar fronteiras. As histórias nascidas na zona rural de Monteiro encontram eco do outro lado do Atlântico, reforçando a ideia de que o sertão paraibano e a Galícia compartilham muito mais do que uma herança linguística: compartilham modos de contar, cantar e preservar a memória de seus povos.
Folha Paraibana