
Decisão expõe novo racha na base governista e abre duas possibilidades para o PDT nas eleições de 2026: candidatura própria de Rafaela Camaraense ou apoio a Cícero Lucena
O cenário político da Paraíba ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (12) com o anúncio de que o PDT não faz mais parte da base de apoio do governador Lucas Ribeiro (PP), pré-candidato à reeleição.
A saída foi confirmada pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, em entrevista exclusiva ao jornalista Felipe Nunes, da CBN. O dirigente atribuiu o rompimento à forma como foi definida a composição da chapa governista, especialmente à escolha da médica e ex-vice-governadora Lígia Feliciano (União Brasil) para ocupar a vaga de vice.
Segundo Lupi, o PDT não teria sido consultado antes da definição. Para o dirigente, a escolha representou uma sinalização de que o governo não pretendia mais contar com o partido na composição eleitoral.
“Em nenhum momento foi discutido, foi colocado o nome de Dra. Lígia (Feliciano) como candidata em nenhuma reunião. Eles fizeram essa opção e, ao fazê-la, fizeram a opção de não querer o PDT”, afirmou Lupi.
O presidente nacional da legenda também rejeitou a interpretação de que o PDT teria decidido abandonar espontaneamente a base de Lucas Ribeiro.
“Na verdade, eles que romperam com a gente quando simplesmente ignoraram um nome que, no meu ponto de vista e de toda a classe política, era o mais leve e com futuro mais promissor: o de Rafaela”, declarou.
PDT avalia candidatura própria
Com o afastamento da base governista, o PDT passou a discutir novos caminhos para a disputa de 2026.
Uma das possibilidades é o lançamento de Rafaela Camaraense como candidata própria ao Governo da Paraíba. A ideia é defendida internamente como uma forma de preservar a autonomia política do partido e apresentar uma alternativa na disputa estadual.
Lupi reconheceu, porém, que a construção dessa candidatura não será simples. Segundo ele, Rafaela não tinha o projeto de disputar o Governo neste momento, mas as conversas com a pré-candidata estão em andamento.
Apoio a Cícero Lucena também está no radar
Caso a candidatura própria não avance, outra possibilidade discutida pelo PDT é o apoio ao prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB).
Carlos Lupi destacou a relação de longa data com o prefeito e lembrou que o PDT já integra a administração municipal de João Pessoa, com vereadores e secretários ligados à legenda.
A eventual aproximação com Cícero pode redesenhar parte das alianças para a sucessão estadual e ampliar o movimento de reorganização das forças políticas para 2026.
“Como eles não nos querem, nós vamos buscar o nosso caminho”
Lupi também lamentou o rompimento do grupo político que, até então, reunia nomes como João Azevêdo (PSB), Aguinaldo Ribeiro (PP), Lucas Ribeiro e Cícero Lucena.
Na avaliação do dirigente, o PDT pretendia continuar participando da construção desse grupo, mas a falta de diálogo em torno da composição da chapa acabou levando a legenda a buscar uma alternativa própria.
“Como eles não nos querem, nós vamos buscar o nosso caminho”, concluiu Lupi.
Agora, o PDT deverá intensificar as conversas com suas lideranças na Paraíba antes de definir oficialmente se lançará Rafaela Camaraense ao Governo do Estado ou se formalizará apoio a Cícero Lucena.