
Pesquisa revela diferença de apenas dois pontos percentuais entre os presidenciáveis, rejeição praticamente igual e um cenário de forte competitividade na reta final da eleição presidencial.
A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (14), trouxe um dado importante para a disputa pela Presidência da República: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão tecnicamente empatados a apenas 11 dias do segundo turno das eleições de 2026. O levantamento mostra Flávio com 46% das intenções de voto, contra 44% de Lula, uma diferença de dois pontos percentuais, dentro da margem de erro da pesquisa.
O resultado mantém Flávio numericamente à frente, mas evidencia uma disputa apertada, na qual pequenas alterações na preferência dos eleitores podem modificar os percentuais registrados nos próximos levantamentos. A eleição está marcada para o dia 25 de outubro.
Considerando apenas os votos válidos, um cálculo realizado pelo UOL a partir dos percentuais divulgados aponta Flávio Bolsonaro com 51,1% e Lula com 48,9%. Esse recorte, que exclui votos brancos, nulos e indecisos, não foi divulgado oficialmente pela Quaest.
O que os números revelam sobre uma possível virada?
A principal informação da pesquisa é a proximidade entre os candidatos. Embora Flávio Bolsonaro apareça à frente, a diferença de dois pontos percentuais está dentro da margem de erro, o que impede afirmar que exista uma vantagem estatisticamente conclusiva.
A comparação com outros levantamentos também ajuda a compreender o cenário. Pesquisas divulgadas anteriormente apresentaram diferenças maiores entre os candidatos. No levantamento BTG/Nexus, por exemplo, Flávio registrou 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. Já a pesquisa PoderData/AYA apontou 51% a 49%.
As variações entre institutos não representam, necessariamente, uma mudança de intenção de voto ao longo dos dias, uma vez que cada pesquisa utiliza sua própria metodologia. Ainda assim, demonstram que a distância medida entre os dois candidatos oscila conforme o levantamento.
Para caracterizar uma virada nas pesquisas, será necessário observar se Lula ultrapassa Flávio numericamente em novos levantamentos e se esse movimento se mantém nas rodadas seguintes.
Rejeição praticamente igual aumenta importância dos eleitores disponíveis
Outro dado relevante da Quaest é a rejeição aos dois presidenciáveis.
Segundo o instituto, 54% dos entrevistados afirmam que não votariam em Flávio Bolsonaro, enquanto 53% dizem o mesmo sobre Lula.
A diferença de apenas um ponto percentual indica que os dois enfrentam resistências semelhantes no eleitorado. Isso torna particularmente importante observar os segmentos que ainda demonstram disposição para mudar de voto ou que não participaram do primeiro turno.
O levantamento também identificou que, entre os eleitores que não votaram ou anularam o voto no primeiro turno, 43% declaram intenção de votar em Lula, enquanto 38% preferem Flávio Bolsonaro.
Já entre os eleitores de candidatos derrotados, os movimentos são diferentes. Os que votaram em Ronaldo Caiado apresentam maior inclinação por Flávio, enquanto os eleitores de Augusto Cury aparecem mais divididos entre os dois presidenciáveis.
Esses recortes mostram que a definição do segundo turno não depende apenas da manutenção das bases eleitorais dos candidatos, mas também da capacidade de mobilização e da distribuição dos votos de quem apoiou outros nomes.
Primeiro turno terminou com diferença de menos de dois pontos
A proximidade também pode ser observada no resultado das urnas no primeiro turno, realizado em 4 de outubro.
Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula conquistou aproximadamente 45,15%, uma diferença de cerca de 1,88 ponto percentual.
A passagem para o segundo turno abriu uma nova etapa da disputa, na qual os votos destinados aos demais candidatos, a abstenção e a decisão de eleitores ainda indecisos passam a ter peso relevante.
Apesar de as pesquisas mais recentes manterem Flávio numericamente à frente, o cenário de empate técnico registrado pela Quaest reforça a necessidade de acompanhar os próximos levantamentos antes de identificar uma tendência eleitoral consolidada.
Dez dias decisivos para a eleição
A pesquisa Quaest ouviu presencialmente 2.154 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pela TV Globo e pelo jornal O Globo e registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08729/2026.
Os próximos levantamentos serão importantes para verificar se os percentuais continuam próximos, se algum dos candidatos apresenta crescimento consistente e como o eleitorado que ainda não declarou um voto válido se comporta na reta final.
Fonte: Polêmica