Catoleense Zé Amaro é escolhido para histórica travessia entre Brasil e Angola do projeto “A Grande Travessia”

O município de Catolé do Rocha estará representado em um dos mais importantes projetos de valorização da memória afrodescendente já realizados entre Brasil e África. O líder quilombola José Amaro da Silva Neto, presidente da Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas da Paraíba (CECNEQ-PB), foi selecionado para participar do projeto internacional “A Grande Travessia”, que irá refazer, em sentido inverso, a rota marítima percorrida por milhões de africanos escravizados durante mais de três séculos.

Além de José Amaro, outros três representantes de comunidades quilombolas de diferentes regiões da Paraíba também integrarão a expedição, fortalecendo a presença do estado em uma iniciativa que busca promover o reencontro com as origens africanas, a valorização da ancestralidade e a reflexão sobre os impactos históricos da escravidão.

A viagem terá duração de 21 dias e partirá do Porto de Santos, em São Paulo, com destino a Luanda, capital de Angola. Mais de duas mil pessoas devem participar da travessia, entre lideranças comunitárias, pesquisadores, educadores, artistas e representantes de movimentos sociais.

Emocionado com a escolha, José Amaro destacou a importância do momento para as comunidades quilombolas paraibanas.

“É uma honra representar Catolé do Rocha, a Paraíba e o povo quilombola em uma iniciativa tão significativa. Não será apenas uma viagem, mas um momento de reflexão, reconhecimento da nossa história e fortalecimento da nossa identidade. Refazer esse caminho simboliza um reencontro com nossas raízes e com a memória dos nossos ancestrais”, afirmou.

O projeto “A Grande Travessia” tem como proposta transformar uma rota historicamente marcada pela dor, pela violência e pela separação de famílias em um percurso de reconexão cultural, reconhecimento e reparação histórica. A iniciativa pretende estreitar os laços entre Brasil e Angola, promovendo debates sobre racismo, direitos humanos, ancestralidade e valorização da cultura afrodescendente.

Durante os 21 dias de navegação, os participantes terão acesso a uma ampla programação composta por palestras, rodas de conversa, seminários, apresentações culturais e atividades educativas voltadas para a preservação da memória histórica e o fortalecimento da identidade negra.

A participação de quatro quilombolas paraibanos no projeto representa um marco para o movimento quilombola do estado e coloca a Paraíba em evidência em uma ação de alcance internacional. Para Catolé do Rocha, a presença de José Amaro da Silva Neto na expedição reforça o protagonismo local na luta pela valorização das comunidades tradicionais e pela preservação da história afro-brasileira.

A expectativa é que a experiência gere novos conhecimentos, fortaleça os intercâmbios culturais entre Brasil e África e contribua para ampliar a visibilidade das comunidades quilombolas paraibanas em espaços nacionais e internacionais.

Folha Paraibana