Aos 64 anos, professor de Catolé do Rocha percorre o Nordeste de bicicleta e vira exemplo de superação e estilo de vida. Confira o resumo da entrevista!

Um exemplo de determinação, disciplina e amor pelo esporte. Assim pode ser definida a trajetória do professor Francisco Praxedes, conhecido como “Professor Novo”, que aos 64 anos realizou mais uma grande aventura sobre duas rodas: uma longa jornada de cicloturismo pelo Nordeste brasileiro, cruzando estados e enfrentando desafios físicos e emocionais.

O professor foi o entrevistado do programa Panorama Notícias, onde compartilhou detalhes da experiência e relembrou uma história de vida que já soma mais de cinco décadas dedicadas ao ciclismo.

Uma vida inteira sobre duas rodas

Engana-se quem pensa que a recente viagem foi algo inédito. Segundo o próprio Praxedes, sua relação com a bicicleta começou ainda na infância, quando ajudava os pais no transporte de leite em Catolé do Rocha.

“Eu tinha entre 13 e 14 anos e já pedalava de madrugada para buscar leite nas fazendas. Foi ali que tudo começou”, relembra.

De lá para cá, foram quase 50 anos pedalando e explorando diferentes modalidades esportivas, mas foi no ciclismo que encontrou sua verdadeira identidade.

Do Sertão aos Lençóis Maranhenses

Entre os percursos mais recentes, o professor destaca a viagem até os Lençóis Maranhenses, feita de forma mais livre, sem um roteiro rígido, característica típica do cicloturismo.

Durante o trajeto, ele passou por regiões serranas do Ceará, como a Ibiapaba, enfrentando subidas desafiadoras com uma bicicleta que carregava mais de 40 quilos entre equipamentos e mantimentos.

“Não é competição. É uma viagem para conhecer, viver o simples e aprender com o caminho”, explica.

A jornada incluiu passagens por cidades como Guaraciaba do Norte, Tianguá e Jericoacoara, além de travessias por trechos mais difíceis no Maranhão, onde enfrentou estradas precárias e falta de sinalização.

Desafios e superação

Entre as maiores dificuldades relatadas estão as condições das rodovias, especialmente no Maranhão, e a necessidade constante de atenção para evitar acidentes.

“Qualquer descuido pode ser fatal. Às vezes, prefiro sair da pista e esperar os veículos passarem”, afirma.

Além disso, a alimentação limitada e a rotina fora do conforto de casa também fazem parte da experiência. Em muitos dias, o professor se alimentou apenas o suficiente para manter o corpo em funcionamento.

Solidariedade pelo caminho

Se por um lado há dificuldades, por outro, a estrada também revela o lado mais humano das pessoas. Praxedes destaca a solidariedade como um dos pontos mais marcantes de suas viagens.

“Já dormi na casa de pessoas que nunca vi na vida. É uma coisa impressionante. Parece que você chega como um amigo antigo”, relata.

Ele atribui esse acolhimento à chamada “lei do retorno”, destacando que também já ajudou muitos ciclistas que passaram por Catolé do Rocha.

Estilo de vida e inspiração

Mesmo aposentado, o professor mantém uma rotina ativa e continua incentivando a prática esportiva. Ele também é reconhecido como um dos pioneiros do ciclismo na cidade.

Para ele, o segredo está na combinação entre atividade física e alimentação saudável, fatores que, segundo afirma, contribuíram para sua longevidade e qualidade de vida.

“Não é só pedalar. É preciso cuidar da alimentação e da mente. Eu sempre tive isso como prioridade”, destaca.

Exemplo que inspira

A história do Professor Francisco Praxedes vai além de uma simples viagem. É um relato de persistência, disciplina e amor pela vida simples, que inspira pessoas de todas as idades a buscarem novos desafios.

Ao final da entrevista, ele deixou claro que não pretende parar tão cedo. Pelo contrário: já pensa na próxima aventura.

“Você chega de uma viagem já planejando a outra. É algo viciante, no bom sentido”, conclui.

A trajetória do ciclista reforça que nunca é tarde para recomeçar, sonhar e seguir em frente — sempre pedalando rumo a novos horizontes.

Folha Paraibana – Foto: Isley Freitas