
Em entrevista à jornalista Isley Freitas, no Béradêro Talks, cantor e compositor falou sobre pertencimento, formação cultural, valorização dos talentos locais e o papel transformador da arte na vida dos jovens.
O cantor, compositor e poeta paraibano Chico César reafirmou sua profunda ligação afetiva e cultural com Catolé do Rocha durante entrevista concedida à jornalista Isley Freitas, no programa Béradêro Talks, realizado no Instituto Cultural Casa do Béradêro. Fundador da instituição, o artista falou sobre suas origens sertanejas, a importância do trabalho desenvolvido pelo espaço cultural e a contribuição da arte para a formação humana e cidadã.
Durante a conversa, Chico César destacou que retornar a Catolé do Rocha representa muito mais do que uma visita à terra onde nasceu. Para ele, é uma oportunidade de reencontrar suas raízes, fortalecer vínculos afetivos e reconhecer as pessoas que contribuíram para sua formação pessoal e artística.
“É como se eu viesse acender essas fogueirinhas que foram acesas pelos meus ancestrais daqui”, afirmou o artista, ao explicar a importância de manter viva a conexão com sua história familiar e com a cidade.
Casa do Béradêro como espaço de transformação
Um dos principais pontos da entrevista foi a importância do Instituto Cultural Casa do Béradêro na formação de crianças, adolescentes e jovens. Chico César ressaltou que o espaço oferece oportunidades para que talentos sejam descobertos e desenvolvidos por meio da música, da literatura, do teatro, da dança e de outras manifestações artísticas.
Na avaliação do artista, a experiência com a cultura ultrapassa o aprendizado de uma atividade específica. Ela contribui para a construção da autoestima, da criatividade e da capacidade de cada pessoa reconhecer seu próprio potencial.
Ao comparar o trabalho desenvolvido pela instituição a uma academia, Chico César utilizou a expressão “academia de ginástica espiritual”, destacando que a arte fortalece a subjetividade e amplia a maneira como as pessoas compreendem a própria existência.
Ele também demonstrou satisfação ao reencontrar jovens envolvidos com a música e observar que pessoas que começaram suas trajetórias ainda crianças hoje participam da manutenção e das atividades da instituição.
“Minha família mais importante está aqui”
Em um dos momentos mais emocionantes da entrevista, Chico César falou sobre os laços construídos ao longo dos anos com as pessoas que fazem parte da Casa do Béradêro.
O artista afirmou que desenvolveu uma relação de pertencimento com a instituição e considera a comunidade cultural uma extensão de sua família.
“Hoje, a minha família mais importante em Catolé, e eu digo isso sem desfazer dos parentes de sangue, a minha família mais importante está aqui. A minha família é o Béradêro”, declarou.
Chico também destacou a importância de Irmã Iracy, reconhecendo sua contribuição para a criação e consolidação do trabalho cultural, especialmente por meio da formação musical e humana proporcionada às novas gerações.
Segundo ele, a instituição representa algo que vai além de resultados financeiros: oferece pertencimento, convivência, identidade e oportunidades para que cada pessoa encontre sua própria forma de expressão e cidadania.
Orgulho das raízes sertanejas
Ao falar sobre sua identidade, Chico César ressaltou que a formação cultural e afetiva de uma pessoa está diretamente relacionada ao lugar onde ela nasceu e às experiências vividas durante a infância.
O compositor afirmou que Catolé do Rocha permanece como sua base emocional e afetiva, mesmo diante das experiências acumuladas em diferentes lugares do Brasil e do mundo.
Ele também demonstrou orgulho ao falar da capacidade empreendedora dos catoleenses, destacando a diversidade de iniciativas desenvolvidas na cidade, desde a produção de calçados e lingerie até os projetos voltados à arte, à cultura e à música.
Apresentação com a Orquestra Gente que Encanta
Durante a entrevista, Chico César também comentou sua participação na programação cultural em Catolé do Rocha. O artista confirmou que realizaria um ensaio com a Orquestra Gente que Encanta, do Instituto Cultural Casa do Béradêro, para uma apresentação no Círculo Operário, espaço que ganhou uma nova estrutura voltada à realização de atividades culturais.
O local também possui significado especial na trajetória do cantor, que relembrou o período em que trabalhou, dos 8 aos 15 anos de idade, na antiga loja LUNIC, onde eram comercializados discos, livros e fotografias.
Ao comentar a transformação do espaço e o crescimento das iniciativas culturais na cidade, Chico afirmou que Catolé do Rocha continua surpreendendo positivamente pelas realizações de sua população.
Uma mensagem para as novas gerações
Na mensagem direcionada aos jovens que participam das atividades da instituição, Chico César demonstrou humildade ao afirmar que também estava ali para aprender, ouvir experiências e conhecer o que está sendo produzido pelas novas gerações.
O artista valorizou a iniciativa do Béradêro Talks como instrumento de comunicação e integração, destacando a importância de atrair novas pessoas e ampliar os espaços de diálogo.
A entrevista conduzida por Isley Freitas evidenciou não apenas a trajetória de Chico César, mas também a dimensão social e afetiva de um projeto cultural que se consolidou como referência de formação artística e valorização da identidade sertaneja.
Para o fundador, a Casa do Béradêro representa a continuidade de uma semente plantada há anos, que segue produzindo frutos e conectando novas gerações à cultura.
Fonte: Entrevista concedida por Chico César à jornalista Isley Freitas, no programa Béradêro Talks, no Instituto Cultural Casa do Béradêro. OUÇA: