
Balanço da disputa revela a força eleitoral do governador reeleito, a renovação nas bancadas estadual e federal e a derrota de nomes tradicionais da política paraibana.
A Paraíba encerrou as eleições deste domingo, 4 de outubro, com um resultado que oferece importantes lições sobre a força das alianças políticas, o peso das lideranças municipais e a capacidade de mobilização dos candidatos. O principal destaque foi a vitória de Lucas Ribeiro (PP), que, segundo os dados apresentados, venceu em 215 dos 223 municípios paraibanos, consolidando ampla presença eleitoral em todo o estado.
Do outro lado, Efraim Filho (PL) venceu em seis municípios, enquanto Cícero Lucena (MDB) ficou na frente em apenas duas cidades. O resultado demonstra que, embora o apoio de prefeitos e de grupos políticos locais possa fortalecer uma candidatura, esse apoio não representa, necessariamente, uma garantia de vitória nas urnas.
Além da disputa pelo Governo do Estado, a eleição também promoveu mudanças importantes nas bancadas da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) e da Câmara dos Deputados, com a chegada de novos nomes e a saída de políticos experientes.
Lucas Ribeiro vence em 215 municípios e amplia presença pelo estado
O mapa eleitoral paraibano foi amplamente favorável a Lucas Ribeiro. De acordo com os números apresentados, o governador venceu em 215 dos 223 municípios, enquanto seus dois principais adversários conseguiram resultados positivos em apenas oito cidades.
As vitórias de Efraim Filho ocorreram em Natuba, Caaporã, Catingueira, Brejo do Cruz, Bom Sucesso e São José do Sabugi. Já Cícero Lucena venceu em Monte Horebe e Manaíra.
Entre os resultados mais expressivos de Efraim está o de São José do Sabugi, onde alcançou 65,98% dos votos válidos, contra 32,46% de Lucas Ribeiro. Cícero, por sua vez, teve seu melhor desempenho proporcional em Monte Horebe, com 47,62%, enquanto Lucas registrou 39,34%.
Esses números mostram que os dois adversários conseguiram manter força eleitoral em determinados municípios, mas não obtiveram uma expansão suficiente para equilibrar a ampla vantagem territorial de Lucas Ribeiro.
João Pessoa e Campina Grande: vitórias importantes para Lucas
Outro aspecto relevante da eleição foi o desempenho de Lucas Ribeiro nos dois maiores centros eleitorais da Paraíba: João Pessoa e Campina Grande.
Na capital paraibana, Lucas alcançou 46,80% dos votos válidos, contra 33,63% de Efraim Filho. Em Campina Grande, a vantagem foi ainda maior: o governador obteve 60,91%, enquanto Efraim registrou 34,02%.
Os resultados chamam a atenção porque Lucas venceu nas duas cidades mesmo sem contar com o apoio dos respectivos prefeitos, conforme as informações apresentadas.
Campina Grande era especialmente importante para Efraim, que tinha o apoio do prefeito do município. Ainda assim, o candidato do PL não conseguiu transformar essa aliança em vitória eleitoral na cidade.
Em João Pessoa, o desempenho de Cícero Lucena também ficou abaixo das expectativas. Apesar de ter administrado a capital por vários anos, o ex-prefeito obteve apenas 18,36% dos votos, terminando na terceira colocação.
O cenário reforça uma realidade da política: o histórico de gestão, a popularidade anterior e o apoio de lideranças locais são fatores relevantes, mas não determinam sozinhos a escolha do eleitor.
Apoio de prefeitos: uma vantagem política que não se confirmou em todas as urnas
Um dos pontos mais importantes deste balanço está na comparação entre os apoios municipais e os resultados efetivamente registrados nas urnas.
Segundo o levantamento citado, Lucas Ribeiro contou com o apoio de prefeitos de 186 municípios e venceu nas cidades em que tinha esse respaldo. Efraim Filho, por sua vez, tinha o apoio de 22 prefeitos, mas venceu em apenas seis desses municípios. Cícero Lucena contava com o apoio de 15 gestores municipais e conseguiu vencer em somente dois.
No caso de Efraim, as vitórias nas cidades onde tinha apoio de prefeitos ocorreram em Natuba, Caaporã, Catingueira, Brejo do Cruz, Bom Sucesso e São José do Sabugi.
Já Cícero conseguiu transformar o apoio municipal em vitória apenas em Monte Horebe e Manaíra.
Os números indicam que a presença de prefeitos e de grupos políticos organizados pode contribuir para uma campanha, mas não substitui a avaliação individual que cada eleitor faz dos candidatos.
A votação também pode ser influenciada por fatores como a atuação dos candidatos durante a campanha, a identificação com suas propostas, a presença nas comunidades, a avaliação dos governos e as articulações políticas estaduais e nacionais.
É importante observar, porém, que os dados apresentados não permitem atribuir a vitória ou a derrota a um único fator. Para compreender completamente o comportamento do eleitorado, também seria necessário analisar a votação total, a distribuição regional dos votos, as abstenções e outros indicadores eleitorais.
Riachão do Poço e Araçagi registraram disputas mais apertadas
Mesmo nas cidades em que Efraim e Cícero foram derrotados, houve municípios onde a diferença entre os candidatos foi menor.
Em Riachão do Poço, Lucas Ribeiro obteve 49,75% dos votos válidos, enquanto Efraim Filho alcançou 46,52%. Foi uma disputa relativamente equilibrada, apesar da vitória de Lucas.
Entre os municípios em que Cícero perdeu, Araçagi apresentou uma diferença importante: Lucas registrou 48,37%, contra 38,35% do ex-prefeito da capital.
Esses resultados demonstram que o mapa estadual, embora amplamente favorável a Lucas, não significa que todas as disputas municipais tenham sido igualmente tranquilas. Em algumas localidades, a competição permaneceu acirrada.
Assembleia Legislativa terá renovação com novos deputados estaduais
A eleição também trouxe mudanças para a Assembleia Legislativa da Paraíba. Segundo o levantamento apresentado, 15 nomes, além de Nilvan Ferreira, vão exercer o primeiro mandato como deputados estaduais.
Entre os estreantes estão Olívia Motta, Maria Porto, Dr. Jarques, Fábio Lopes, Mané Buchada, Jô Oliveira, Anna Lorena, Nil Mendes, Segundo Domiciano, Felipe Coutinho, Tibério Limeira, Nelinho Costa, Diego Tavares e Flávio Brasileiro.
A chegada desses parlamentares representa uma renovação de nomes e abre espaço para novas articulações políticas dentro do Legislativo estadual.
A partir de 2027, os novos deputados terão o desafio de transformar os compromissos assumidos durante a campanha em ações concretas, por meio da apresentação de projetos, da fiscalização do Poder Executivo e da defesa das demandas das regiões que representam.
A renovação, por si só, não garante mudanças na atuação parlamentar. O resultado dependerá da capacidade de trabalho dos eleitos, da independência na fiscalização e da relação que cada deputado estabelecer com a população.
Câmara Federal: bancada paraibana terá 25% de renovação
Na Câmara dos Deputados, a Paraíba também terá mudanças a partir de 2027. Dos 12 nomes que, conforme a relação fornecida, formarão a bancada paraibana, três aparecem como novidades na próxima composição: Ricardo Coutinho, George Morais e Pollyanna Werton.
Os outros nove nomes relacionados são Cabo Gilberto Silva, Aguinaldo Ribeiro, Murilo Galdino, Hugo Motta, Wilson Santiago, Ruy Carneiro, Gervásio Maia, Wellington Roberto e Damião Feliciano.
A renovação representa 25% da bancada federal paraibana, enquanto os demais nomes relacionados dão continuidade à representação de políticos que já ocupam espaço na Câmara.
A disputa também deixou de fora nomes conhecidos da política estadual. Mersinho Lucena e Romero Rodrigues, que atualmente ocupam cadeiras na Câmara, não aparecem entre os eleitos para a próxima legislatura. O ex-deputado Luiz Couto também não conseguiu retornar à Casa.
Os novos mandatos estão previstos para começar em 1º de fevereiro de 2027, com duração de quatro anos.
A composição da bancada federal é importante porque os deputados têm participação direta na discussão de projetos nacionais, na votação do Orçamento da União e na articulação de recursos e investimentos para os municípios paraibanos.
O que as eleições de 2026 ensinam sobre a política paraibana?
O balanço eleitoral aponta três aspectos centrais.
O primeiro é a força territorial de Lucas Ribeiro, que venceu em 215 municípios e obteve resultados expressivos também em João Pessoa e Campina Grande. A abrangência da votação mostra que sua candidatura conseguiu reunir apoio eleitoral em diferentes regiões do estado.
O segundo é o limite do apoio político tradicional. Os resultados de Efraim Filho e Cícero Lucena indicam que o respaldo de prefeitos não foi suficiente para garantir vitórias na maioria das cidades em que os dois tinham alianças. O eleitor não vota necessariamente de acordo com a orientação de uma liderança local.
O terceiro é a renovação parcial dos espaços legislativos. A chegada de novos deputados estaduais e federais abre uma nova etapa para a política paraibana, ao mesmo tempo que mantém nomes experientes em posições importantes.
Conclusão: vitória ampla, adversários com redutos e novos desafios para 2027
As eleições de 2026 deixaram um recado importante para a política da Paraíba: alianças, apoios e estruturas municipais continuam relevantes, mas o resultado das urnas depende de uma combinação de fatores que vai além dos acordos entre lideranças.
Lucas Ribeiro saiu fortalecido pelo alcance de sua votação nos municípios. Efraim Filho e Cícero Lucena mantiveram espaços específicos, mas não conseguiram transformar o apoio político de que dispunham em uma vitória territorial mais ampla.
Ao mesmo tempo, a renovação nas bancadas estadual e federal mostra que o eleitorado também promoveu mudanças na representação parlamentar.
O próximo desafio será transformar os votos recebidos em resultados concretos. Para o governo estadual, isso significa responder às demandas da população e cumprir os compromissos assumidos. Para os deputados eleitos, significa representar os municípios, fiscalizar a administração pública e trabalhar por melhorias para a Paraíba.
Mais do que definir vencedores e derrotados, as urnas estabeleceram a correlação de forças políticas que dará início a um novo ciclo de governo e representação parlamentar em 2027.