
Há momentos em que é preciso separar a política partidária daquilo que pertence a todos. E quando o assunto é saúde pública, essa separação precisa ser ainda mais clara.
O Hospital Regional Dr. Américo Maia de Vasconcelos, em Catolé do Rocha, não é hospital particular, não pertence a deputado, prefeito, grupo político ou qualquer liderança. Trata-se de uma unidade estadual, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba. O próprio Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) identifica a unidade como “Hospital Geral Estadual”, tendo como entidade responsável a Secretaria de Estado da Saúde.
Portanto, qualquer tentativa de transformar o hospital em patrimônio político de quem quer que seja precisa ser vista com cautela.
Hospital é do povo, não de um grupo político
O Hospital Regional Dr. Américo Maia existe para atender a população de Catolé do Rocha e dos municípios que integram a região de saúde. Sua finalidade não pode estar condicionada à conveniência eleitoral de determinado grupo.
O Governo da Paraíba mantém a unidade dentro da estrutura estadual de saúde, inclusive com previsão orçamentária específica para sua manutenção. O planejamento estadual contempla a ação de Manutenção do Hospital Regional Dr. Américo Maia de Vasconcelos, demonstrando que se trata de um equipamento permanente da rede pública estadual.
E essa é uma questão fundamental: governos passam, deputados passam, prefeitos passam, grupos políticos mudam, mas o hospital permanece.
Um rio segue seu curso
Pode-se fazer uma comparação simples: um rio segue seu curso, independentemente de quem esteja olhando para suas águas. Um hospital regional também precisa seguir sua finalidade, independentemente de quem esteja ocupando um cargo político.
Hoje pode existir determinado governador. Amanhã poderá existir outro.
Hoje um deputado pode ter mandato. Amanhã poderá ser outro representante.
Hoje uma liderança pode exercer influência. Amanhã o cenário político poderá ser completamente diferente.
Mas o Hospital Regional Dr. Américo Maia continuará tendo a mesma missão: cuidar das pessoas.
O Ministério da Saúde, por exemplo, reconheceu a unidade como estabelecimento estadual e registrou a habilitação de 10 leitos de UTI adulto II, com custeio anual correspondente, reforçando sua inserção na rede pública de atenção hospitalar.
Crédito político não pode virar propriedade
É legítimo que políticos apresentem suas ações, divulguem recursos destinados à saúde e reivindiquem reconhecimento pelo trabalho realizado.
O que não parece saudável para a democracia é transformar uma estrutura pública em instrumento de disputa sobre “quem é o dono” do hospital.
Se um deputado ajudou a conseguir recursos, equipamentos ou melhorias, que receba o reconhecimento correspondente.
Se o Governo do Estado investiu, que também seja reconhecido.
Se servidores trabalham diariamente para manter a unidade funcionando, que sejam valorizados.
Mas o resultado final precisa ser compreendido pelo que realmente é: um serviço público destinado à população.
O próprio Governo da Paraíba identifica oficialmente o Dr. Américo Maia como uma unidade do Governo da Paraíba em Catolé do Rocha e divulga ações realizadas na unidade pela Secretaria de Estado da Saúde.
A saúde pública não pode ser eleitoral
Um hospital regional não pode funcionar de acordo com o calendário eleitoral.
Sua porta precisa estar aberta quando não há eleição.
Precisa estar aberta durante uma campanha.
Precisa continuar aberta depois da eleição.
E precisa atender igualmente quem votou em A, B, C ou em ninguém.
Essa é a essência do serviço público.
O cidadão que chega ao hospital não deveria ser recebido como eleitor de determinado grupo. Ele deve ser recebido como paciente.
A finalidade principal de um hospital regional é justamente descentralizar o atendimento especializado, oferecendo serviços à população de uma região e evitando que todos os pacientes precisem se deslocar para centros maiores.
Por isso, o Dr. Américo Maia deve ser visto como um patrimônio coletivo do Sertão paraibano.
Quem for eleito terá responsabilidade sobre a saúde
Essa talvez seja a principal reflexão.
Os políticos passam pelo poder. A população fica.
Quem for eleito para governar a Paraíba terá responsabilidade pela saúde pública.
Quem for eleito para representar o Estado ou a região no Congresso terá responsabilidade de buscar recursos e defender os interesses da população.
Quem estiver à frente da administração estadual terá a obrigação de garantir que o hospital tenha condições de funcionar.
Mas nenhum deles será proprietário do hospital.
O verdadeiro dono simbólico desse patrimônio é a população que depende dele.
O Hospital Regional Dr. Américo Maia deve continuar sendo aquilo que sua própria natureza determina: um hospital público, estadual, regional e de todos.
Porque saúde não pode ter partido, grupo ou dono.
Saúde pública tem compromisso com a vida. E a vida não pode ser usada como propriedade eleitoral.