
Há perdas que não cabem em números, relatórios ou portarias. Elas são sentidas nos corredores dos hospitais, nas salas de espera, no olhar de quem chega em busca de ajuda e encontra um rosto conhecido, alguém em quem aprendeu a confiar ao longo dos anos.
No interior, a população conhece seus médicos pelo nome. Conhece porque foram anos de atendimento, de plantões, de noites difíceis e de momentos em que a presença daquele profissional fez toda a diferença na vida de alguém.
Por isso, quando profissionais experientes deixam seus postos, a reação da comunidade é imediata. O sentimento não é apenas de surpresa. É de preocupação.
Primeiro veio a saída do Dr. Sandrinho. Agora, a do Dr. Cleber Pontes. Dois profissionais reconhecidos pelo trabalho prestado, pela dedicação aos pacientes e pela experiência acumulada ao longo dos anos. Duas situações que geraram debates, questionamentos e muitas dúvidas entre os moradores de Catolé do Rocha e de toda a região.
Nas conversas das ruas, nas redes sociais e nos grupos de mensagens, uma pergunta tem sido repetida por muitas pessoas: estaria a política falando mais alto do que os critérios técnicos?
Não se trata de uma acusação, mas de uma reflexão. Quando profissionais respeitados deixam funções importantes sem que a população compreenda claramente os motivos, o espaço para os questionamentos surge naturalmente.
A saúde pública exige competência, responsabilidade e experiência. Quem procura um hospital quer encontrar profissionais preparados para cuidar daquilo que existe de mais precioso: a vida humana. E a experiência, nesse contexto, é um patrimônio que não pode ser ignorado.
A população não está preocupada com disputas políticas. O cidadão quer atendimento de qualidade. Quer saber que, ao chegar a um hospital, encontrará profissionais capacitados e comprometidos com seu bem-estar.
Quando a impressão que fica é a de que critérios políticos podem estar influenciando decisões que deveriam priorizar o mérito e a qualificação, surge um sentimento de insegurança. Afinal, a saúde não deveria ter lado político. A saúde deveria ter apenas um lado: o lado do paciente.
Talvez seja justamente por isso que tantas pessoas tenham manifestado tristeza e indignação diante dessas mudanças. Não porque sejam contra quem chega, mas porque reconhecem e valorizam quem já demonstrou competência ao longo do tempo.
Os governos passam. Os grupos políticos mudam. As eleições acontecem a cada ciclo. Mas a necessidade de um atendimento de saúde eficiente permanece.
Que as decisões envolvendo a saúde pública sejam sempre guiadas pelo interesse coletivo, pela capacidade técnica e pela experiência profissional. Porque quando o mérito perde espaço, quem corre o risco de perder também é a própria população.
E quando a população perde, ninguém realmente ganha.
Folha Paraibana