
Durante sua participação na TV Diário do Sertão, o jornalista e analista político sousense Thalles Gadelha fez uma ampla avaliação do cenário da sucessão estadual na Paraíba e afirmou que, no momento, a disputa pelo Governo do Estado caminha para ser decidida em segundo turno.
Segundo Thalles, embora o prazo para a homologação das candidaturas termine apenas no dia 5 de agosto, o panorama eleitoral já permite identificar as principais forças políticas que deverão protagonizar a corrida ao Palácio da Redenção.
“Agora sim, eu reafirmo, reitero esse meu ponto de vista. É eleição de segundo turno. Estamos a menos de um mês para o prazo final da homologação das candidaturas. Algo pode mudar, pode acontecer, mas hoje o cenário aponta nessa direção“, afirmou.
Lucas Ribeiro cresce com a força da máquina administrativa
Na análise do jornalista, o governador Lucas Ribeiro (PP) vive um momento de fortalecimento político, ampliando sua aceitação junto ao eleitorado e consolidando sua base de apoio.
Thalles destacou que o chefe do Executivo estadual possui uma estrutura política robusta por estar no comando do Governo.
“A gente tem que reconhecer que o governador Lucas Ribeiro teve uma ascensão do ponto de vista eleitoral, ampliou a sua aceitação e mantém um exército político bem azeitado. Para ser eufêmico e não falar em uso da máquina, mas é quem está no poder.”
Cícero Lucena aposta na experiência e na força da capital
Ao analisar o projeto político do ex-prefeito de João Pessoa Cícero Lucena (MDB), Thalles ressaltou a trajetória vitoriosa do emedebista e lembrou que sua história demonstra capacidade de superar momentos difíceis.
O comentarista recordou a eleição de 1990, quando Cícero iniciou a campanha com baixo índice nas pesquisas e acabou eleito vice-governador ao lado de Ronaldo Cunha Lima.
Para Thalles, Cícero continua demonstrando grande capacidade de resistência política.
“Ele resiste. Resiste e imprime novas estratégias. Parte para o voto humilde, visita lideranças, continua liderando na Região Metropolitana e na capital e dá a entender que não vai entregar fácil.”
Entretanto, o jornalista também observou que os recentes movimentos de aproximação de Cícero com o governador João Azevêdo podem enfraquecer seu discurso oposicionista.
Segundo ele, a ausência de uma chapa majoritária consolidada e as sinalizações de diálogo com integrantes da base governista criam dificuldades para o projeto político do ex-prefeito.
Efraim Filho representa renovação e pode surpreender
Outro nome analisado foi o senador Efraim Filho (PL), apontado por Thalles como uma candidatura de renovação, capaz de mobilizar principalmente o eleitorado conservador e de direita.
O jornalista lembrou que Efraim já surpreendeu em 2022 ao conquistar uma vaga no Senado e destacou sua trajetória política sem desgastes significativos.
“É um discurso jovem, intrépido, que empolga as novas gerações. Tem um segmento forte de direita que lhe garante uma votação segura e possui uma base política consolidada construída por várias gerações da família.”
Thalles ainda destacou o histórico político da família Moraes e Filho, lembrando a atuação do ex-senador Efraim Moraes, além da tradição dos avôs Inácio Bento e João Feitosa, importantes lideranças do Vale do Sabugi e do Cariri paraibano.
Segundo ele, essa combinação entre juventude, discurso renovador e tradição política pode tornar Efraim um dos protagonistas da disputa.
“Isso pode apimentar esse sangue novo de Efraim e também gerar uma surpresa, fazendo dele um dos contendores do segundo turno.”
Cenário ainda pode sofrer mudanças
Apesar de apontar uma tendência de segundo turno, Thalles Gadelha fez questão de ressaltar que o quadro eleitoral ainda não está fechado e poderá sofrer alterações até o encerramento do período de registro das candidaturas.
Na avaliação do comentarista, a disputa reúne três perfis distintos: o governador Lucas Ribeiro, respaldado pela força administrativa; Cícero Lucena, sustentado pela experiência e pela capacidade de recuperação política; e Efraim Filho, que aposta no discurso de renovação e no crescimento do campo conservador.
Para o analista, o cenário permanece aberto, mas, neste momento, todos os indicadores apontam para uma eleição bastante competitiva, com grandes chances de ser decidida apenas no segundo turno.
Folha Paraibana com informações da TV Diário do Sertão