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Paraíba deve registrar 2 mil novos casos de câncer de mama e do colo do útero em 2026, estima INCA

Estado tem previsão de 1.640 diagnósticos de câncer de mama e 420 de câncer do colo do útero. Dados reforçam a importância da prevenção, dos exames de rotina e do diagnóstico precoce durante o Outubro Rosa.

O alerta do Outubro Rosa vai além da conscientização sobre o câncer de mama. Na Paraíba, as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam para 2.060 novos casos de câncer de mama e do colo do útero em 2026, um cenário que reforça a necessidade de ampliar o acesso à prevenção, aos exames de rastreamento e ao diagnóstico precoce.

De acordo com as projeções do instituto, o estado deverá registrar 1.640 novos casos de câncer de mama e 420 de câncer do colo do útero ao longo do ano. Em todo o Brasil, a estimativa chega a 97.920 ocorrências desses dois tipos de câncer, sendo 78.610 de mama e 19.310 do colo do útero.

Os números colocam a saúde da mulher no centro do debate e reforçam a importância de políticas públicas que garantam informação, acompanhamento médico e acesso aos serviços de saúde, tanto na capital quanto nos municípios do interior paraibano.

Câncer de mama e do colo do útero exigem atenção contínua

Embora apresentem características diferentes, os dois tipos de câncer exigem cuidados específicos e acompanhamento regular. A ausência de sintomas nas fases iniciais pode dificultar a identificação das doenças, tornando os exames preventivos e o rastreamento fundamentais.

Para o ginecologista Gustavo Barison, membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA), os números demonstram a dimensão do desafio enfrentado pela saúde pública.

Segundo o especialista, a informação precisa estar associada ao acesso efetivo ao cuidado, desde a prevenção e as consultas de rotina até a investigação de alterações suspeitas e o início do tratamento, quando necessário.

A orientação é que as mulheres não esperem o aparecimento de sintomas para procurar os serviços de saúde. O acompanhamento deve considerar a idade, o histórico clínico e as recomendações dos profissionais responsáveis.

Paraíba registra centenas de mortes por câncer de mama e do colo do útero

Além das estimativas de novos casos, os dados de mortalidade evidenciam o impacto das duas doenças no estado.

Segundo o Painel de Monitoramento da Mortalidade CID-10, do Ministério da Saúde, o câncer de mama provocou 21.848 mortes no Brasil em 2025, das quais 342 ocorreram na Paraíba. Em 2026, os registros disponíveis contabilizam 13.622 óbitos no país e 229 no território paraibano.

No caso do câncer do colo do útero, foram registradas 7.455 mortes no Brasil em 2025, incluindo 128 na Paraíba. Em 2026, o painel contabiliza 4.567 mortes no país e 82 no estado.

Os números referentes a 2026 são parciais e não devem ser comparados diretamente com os totais anuais de 2025, pois ainda dependem da atualização dos registros ao longo do ano.

O cenário reforça a importância de fortalecer as ações de prevenção e garantir que mulheres tenham acesso aos exames e ao atendimento necessário, especialmente em regiões onde as dificuldades de deslocamento e de acesso aos serviços especializados podem representar obstáculos ao cuidado.

Quais sinais podem indicar câncer de mama?

O câncer de mama pode apresentar diferentes manifestações. Entre os sinais que merecem avaliação profissional estão:

  • Caroço ou nódulo na mama ou na região da axila;
  • Alterações na pele da mama, como retrações ou aspecto semelhante à casca de laranja;
  • Mudanças no formato ou na posição do mamilo;
  • Saída espontânea de secreção pelo mamilo, especialmente quando acompanhada de sangue;
  • Alterações persistentes no formato ou no tamanho das mamas.

A presença desses sinais não significa necessariamente câncer, mas deve ser investigada por um profissional de saúde.

A mamografia é um dos principais exames utilizados no rastreamento do câncer de mama. A indicação e a periodicidade devem seguir as recomendações vigentes, considerando a faixa etária e as condições individuais de cada mulher.

Câncer do colo do útero: exames ajudam a identificar alterações precocemente

O câncer do colo do útero também pode evoluir sem apresentar sintomas nas fases iniciais. Por isso, o rastreamento é uma ferramenta importante para identificar infecções persistentes pelo HPV e alterações que podem anteceder o desenvolvimento da doença.

Entre os métodos utilizados estão o teste molecular de DNA-HPV e o exame citopatológico, conhecido como Papanicolau, conforme a disponibilidade dos serviços e as recomendações aplicáveis.

Sangramento vaginal fora do período menstrual, sangramento após a relação sexual, secreção vaginal incomum e dor pélvica persistente são sinais que precisam de avaliação médica.

A vacinação contra o HPV também integra as estratégias de prevenção do câncer do colo do útero. A imunização, associada ao rastreamento recomendado, contribui para reduzir o risco da doença.

Outubro Rosa reforça a importância do diagnóstico precoce

A campanha Outubro Rosa amplia a divulgação de informações sobre o câncer de mama, mas também representa uma oportunidade para reforçar a atenção integral à saúde feminina.

O cuidado não deve se limitar a um mês do ano. Consultas regulares, vacinação, exames indicados para cada faixa etária e investigação de sintomas são medidas importantes para prevenir complicações e favorecer o diagnóstico em tempo oportuno.

A principal orientação é procurar uma unidade de saúde para receber informações sobre os exames recomendados e manter o acompanhamento de acordo com o histórico individual.

Na Paraíba, onde a estimativa é de 2.060 novos casos desses dois tipos de câncer em 2026, ampliar o acesso à prevenção e ao diagnóstico precoce é um desafio que envolve poder público, profissionais de saúde e toda a sociedade.

Folha Paraibana