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Desinformação: Denúncias ao TSE aumentam 3,5 vezes antes do segundo turno; saiba como identificar conteúdos falsos sobre candidatos à Presidência

O 2º turno das eleições presidenciais será realizado no dia 25 de outubro entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente da República, candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Até esta data, o eleitor precisa ficar atento e evitar a propagação de informações falsas ou fora de contexto, pois mensagens sobre candidatos, pesquisas, notícias sobre urnas eletrônicas e decisões da Justiça Eleitoral podem circular com rapidez nas redes sociais e aplicativos de mensagens.

Um dos destaques na campanha do segundo turno são os canais de Whatsapp “Exército do Lula” (apoiadores de Lula) e a “Tropa do Flávio” (apoiadores de Flávio Bolsonaro) , usados para distribuir conteúdos, organizar ações de compartilhamento e ampliar o alcance das publicações nas redes sociais. Porém, independente do candidato escolhido, é necessário verificar a origem dos conteúdos antes de acreditar neles, desconfiar de mensagens alarmistas e consultar canais oficiais antes de compartilhar as publicações.

Entre os exemplos de  conteúdos e práticas que possam ameaçar a integridade das eleições identificados pelo Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (Siade) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estão: informações falsas sobre a segurança e o funcionamento das urnas eletrônicas; perfis que se passam por órgãos da Justiça Eleitoral; discursos de ódio e discriminação; uso indevido do logo da Justiça Eleitoral; tentativas de impedir ou desestimular o voto; informações incorretas sobre datas, horários ou locais de votação; disparos em massa de mensagens eleitorais pelo WhatsApp; ataques ou ameaças contra integrantes da Justiça Eleitoral e do Ministério Público Eleitoral, além dos conteúdos gerados por inteligência artificial.

Um exemplo de desinformação foi verificado pelo TSE na quarta-feira (14) quando um vídeo que circulava nas redes sociais sugeria que servidores do órgão teriam poder para alterar sistemas da Justiça Eleitoral e modificar o resultado das eleições. Segundo o TSE, a afirmação é falsa, pois, nenhum servidor pode alterar os sistemas eleitorais depois que eles são assinados digitalmente e lacrados em cerimônia pública. Outro destaque estava no Canal “Tropa do Flávio” que compartilhou uma imagem gerada por inteligência artificial (IA) mostrando uma mulher limpando pichações no metrô de São Paulo e outros conteúdos distorcidos atacando o Governo Federal. Os fatos foram negados por agências de checagem.

Desde 16 de agosto, início da propaganda eleitoral nas ruas e na internet para o 1º turno, o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral do TSE recebeu 16.775 apontamentos. Desse total, 3.729 foram registrados pelo sistema entre 16 de agosto e 4 de outubro. A partir de 5 de outubro, o número chegou a 13.046, até quarta-feira. O volume registrado nesse segundo período foi cerca de 3,5 vezes maior que o do primeiro turno.

Entre os apontamentos recebidos pelo Siade entre 16 de agosto e 4 de outubro, 963 foram tratados, ou seja, analisados e encaminhados para as plataformas. Entre 5 e 14 de outubro, foram tratados 1.216 apontamentos. Nos registros do primeiro período, destacaram-se os relatos de desinformação que atingiram a Justiça Eleitoral (1.611) e de conteúdos falsos destinados a impedir ou desestimular o voto (1.174). Já entre 5 e 14 de outubro, as duas categorias mais frequentes de denúncias foram a desinformação para impedir ou desestimular o voto (7.536) e a desinformação que atinge a Justiça Eleitoral (3.706). Neste mês, o TSE vem reforçando a divulgação da  plataforma Fato ou Boato, que reúne checagens de informações relacionadas ao processo eleitoral e orientações para ajudar a população a identificar conteúdos enganosos.

A seguir algumas dicas para ajudar a reconhecer conteúdos enganosos neste segundo turno das eleições. A maioria delas, inclusive, são recomendações obtidas nas diferentes checagens realizadas pelo TSE ou agências de checagens. Confira:

Confira a origem da informação

A checagem de informações antes de compartilhar  é uma forma de reduzir a circulação de conteúdos enganosos. Com isso, antes de compartilhar uma notícia, o eleitor deve buscar a publicação original ( verificar qual veículo, instituição ou pessoa publicou o conteúdo originalmente),  consultar fontes confiáveis e evitar encaminhar mensagens cuja veracidade não conseguiu confirmar.

Mensagens que circulam sem autoria identificada ou apresentam apenas capturas de tela dificultam a confirmação da informação. Além disso, se publicação atribuir uma determinada decisão ao TSE, ao Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) ou a outro órgão público, o ideal é procurar o comunicado ou documento original nos canais oficiais.

Em caso de dúvida sobre uma informação eleitoral, não compartilhar imediatamente é a decisão mais correta e ajuda a impedir que um conteúdo falso alcance mais pessoas.

Desconfie de mensagens alarmistas ou suspeitas

Frases como “compartilhe antes que apaguem”, “repasse para todos os grupos”, “a imprensa não quer mostrar”, “o governo vai acabar com o PIX”, “o presidente pretende fechar templos religiosos” ou “ esse partido quer destruir a família” são narrativas frequentemente identificadas por agências de checagem e pelo TSE. Geralmente, esses conteúdos são derrubados por serem baseados em adulterações de áudio, vídeos cortados e informações integralmente fabricadas tanto para gerar medo no eleitorado como para estimular o compartilhamento sem verificação. Este tipo de linguagem por si só não comprova que uma informação seja falsa, mas já é um sinal para interromper o compartilhamento e buscar outras fontes.

  • Exemplos de mensagens suspeitas e o que fazer em cada caso:
  1. “A votação foi transferida para outro dia” (consulte o calendário e os comunicados oficiais do TSE ou TRE-PB).
  2. “Candidato fez esta declaração em um vídeo” (procure a gravação original e confira se o trecho foi editado ou retirado de contexto).
  3. “Esta foto comprova uma manifestação política” (verifique quando e onde a imagem apareceu originalmente e procure registros independentes do evento).
  4. “Áudio revela uma decisão secreta da Justiça Eleitoral” (não trate a gravação como autêntica sem confirmação da origem e das declarações).

Leia o conteúdo completo ( e não apenas o título)

É importante conferir a  data e o contexto: Uma notícia verdadeira sobre outra eleição pode voltar a circular como se fosse voltada à campanha atual. O mesmo acontece com vídeos antigos de discursos, manifestações e entrevistas de candidatos. Verifique a data da publicação original e procure o contexto completo. Um trecho isolado de uma fala pode transmitir um sentido diferente daquele apresentado na entrevista ou no discurso integral.

Além disso, não se deve confiar apenas em títulos ou capturas de tela, pois uma imagem com o logotipo de um jornal ou de uma instituição pode ser editada. Da mesma forma, um título compartilhado nas redes sociais pode omitir informações do texto completo. Por isso, vale procurar a publicação original no site do veículo ou no canal oficial da instituição citada. Confira também se o conteúdo foi corrigido ou atualizado.

Observe se outros veículos publicaram a mesma notícia

O eleitor pode checar se outros veículos de imprensa reconhecidos publicaram a mesma notícia. Essa é uma das melhores alternativas para confirmar a veracidade de um fato, pois no jornalismo profissional, é muito difícil que apenas um único site tenha uma informação exclusiva, especialmente sobre grandes acontecimentos, leis ou decisões oficiais. Esse isolamento de um único veículo com a informação já revela que o conteúdo pode ser suspeito.

Além disso, quando uma notícia é real, portais de diferentes grupos de mídia costumam apurá-la e publicá-lo, mesmo que utilizando linguagens diferentes. Se apenas uma página desconhecida ou perfil suspeito divulgar o conteúdo, há chances de ser falso ou enganoso. Inclusive, comparar diferentes fontes ajuda a perceber se o fato foi tirado de contexto ou se é uma notícia antiga que foi republicada como atual.

Verifique fotos, áudios e vídeos

Imagens e gravações também podem ser manipuladas ou retiradas de seu contexto original. Com ferramentas de inteligência artificial, é possível criar conteúdos que imitam a aparência, a voz ou as declarações de uma pessoa. Uma das formas de investigar uma imagem é realizar uma busca reversa para encontrar publicações anteriores. No caso de vídeos e áudios, procure a gravação integral e verifique se há confirmação em fontes confiáveis.

Para as Eleições 2026, o TSE aprovou alterações na resolução que trata da propaganda eleitoral para regulamenta o uso de IA pelos partidos, candidatos e provedores de internet.  A regulamentação tem a finalidade de impedir a propagação de conteúdos fabricados ou manipulados para difundir fatos inverídicos ou descontextualizados que possam causar danos ao equilíbrio das eleições ou à integridade do processo. Com as regras, o TSE também busca combater o uso de deepfake para prejudicar ou favorecer candidaturas.

Uma das principais regras é a imposição ao responsável pela propaganda eleitoral de informar, quando for o caso, a utilização de conteúdo sintético multimídia, ou seja, criado ou alterado por meio de IA ou tecnologia equivalente. A informação deve constar de modo explícito, destacado e acessível. Isso vale para textos, áudios, vídeos e imagens.   Além disso, é proibida a  publicação e republicação, mesmo que de forma gratuita, bem como de impulsionamento pago de novos conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por IA no período compreendido entre as 72 horas que antecedem o pleito e as 24 horas depois das eleições.

Consulte os canais oficiais

A Justiça Eleitoral disponibiliza informações sobre horário de votação, locais de votação, regras eleitorais e decisões em seus canais oficiais. O cidadão pode consultar o portal do TSE, o site do TRE-PB e a plataforma Fato ou Boato para esclarecer dúvidas e encontrar verificações já realizadas.

Até o dia das eleições, os eleitores podem ajudar a combater a desinformação eleitoral denunciando conteúdos falsos, enganosos ou fora de contexto. Para isso, a Justiça Eleitoral disponibiliza o Siade, canal que recebe comunicações relacionadas a conteúdos e práticas que possam gerar desinformação. Para enviar um alerta, basta preencher o formulário disponível na página do Siade. As denúncias podem ser feitas anonimamente e para facilitar a análise, é importante fornecer o máximo possível de informações sobre o conteúdo denunciado.

A equipe responsável analisa os relatos recebidos e, quando identifica possíveis violações, encaminha os casos e quando uma violação é identificada, o relato é encaminhado à plataforma digital responsável. Se houver indícios de crime ou de infração administrativa eleitoral, o caso também poderá ser encaminhado ao Ministério Público e a Polícia Federal.

Folha Paraibana com informações do Polêmica Paraíba